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Retrospectiva Atlético-MG 2025: Do Hexa ao Vexame em Campo
Por Redação FutGalo em 31/12/2025 04:13
O encerramento do ciclo de 2025 para o Atlético-MG deixa um rastro de frustração e a nítida impressão de que o clube caminha em círculos. O que se viu foi a repetição de erros administrativos e esportivos que culminaram em um desfecho melancólico para o torcedor. Entre trocas de comando técnico e uma saúde financeira cada vez mais debilitada, o Galo viu o investimento pesado se transformar em resultados pífios dentro das quatro linhas.
A gestão da SAF, liderada por Rafael Menin, admitiu abertamente o insucesso após o término do Campeonato Brasileiro. Ao avaliar o desempenho da equipe, o acionista foi enfático ao declarar: "Vexame completo! Deu tudo errado neste ano, a Massa merece muito mais." O reconhecimento do fracasso veio acompanhado de uma reformulação administrativa, com a saída de Bruno Muzzi e a chegada de Pedro Daniel para o cargo de CEO, além da não renovação do contrato de Victor Bagy na diretoria de futebol.
No âmbito financeiro, o cenário é alarmante. Com uma dívida que beira os R$ 2 bilhões, o Atlético-MG enfrentou um ano de asfixia econômica. A falta dos aportes esperados na SAF gerou atrasos sistemáticos em pagamentos de direitos de imagem, luvas, comissões e até obrigações com fornecedores. O ápice da instabilidade ocorreu em julho, quando o atacante Rony acionou o Judiciário para rescindir seu vínculo por falta de pagamento, recuando apenas após um acordo de última hora com a cúpula atleticana.
Gestão da SAF e as dívidas bilionárias do Galo
Apesar do sufoco nas contas, o clube não economizou na montagem do elenco, utilizando os recursos da venda de Paulinho para buscar novos nomes. Mais de R$ 100 milhões foram empenhados apenas em três jogadores ofensivos, em um movimento que, meses depois, se provaria ineficiente diante dos objetivos traçados. Abaixo, detalhamos os principais aportes realizados em contratações ao longo do ano:
| Jogador | Valor do Investimento |
|---|---|
| Júnior Santos | R$ 48 milhões |
| Rony | R$ 38 milhões |
| Cuello | R$ 36 milhões |
| Alexsander | R$ 35,2 milhões |
| Ivan Román | R$ 11,4 milhões |
| Natanael | R$ 7 milhões |
Mesmo com essas cifras, o rendimento esportivo foi declinante. No Campeonato Brasileiro, o Atlético-MG flertou com a zona de rebaixamento nas rodadas decisivas e terminou em uma modesta 12ª colocação. Pelo segundo ano consecutivo, a equipe falhou em garantir uma vaga na Copa Libertadores, restando apenas o consolo da classificação para a Sul-Americana de 2026.
O torneio continental, inclusive, foi palco da maior dor de cabeça da temporada. Após chegar à final da Sul-Americana em Assunção, o Galo repetiu o roteiro de 2024 e deixou o título escapar, sendo derrotado nos pênaltis pelo Lanús. O revés na Argentina selou o destino de um ano que prometia glórias, mas entregou apenas decepções em momentos cruciais.
Investimentos pesados e baixo rendimento esportivo
A trajetória de 2025 começou com uma ilusão de estabilidade. Sob o comando de Cuca, o Atlético-MG conquistou o hexacampeonato mineiro ao vencer o América-MG. Naquela oportunidade, Rubens Menin exaltou a qualidade do grupo de jogadores, afirmando que o elenco era "um dos mais fortes que tivemos na história." Entretanto, o título estadual foi o único brilho em uma temporada de sombras.
A instabilidade técnica forçou a diretoria a mudar a rota no meio do caminho. Após a eliminação na Copa do Brasil para o maior rival, o Cruzeiro, Cuca foi demitido. Para seu lugar, a SAF atendeu aos apelos das arquibancadas e trouxe Jorge Sampaoli. A mudança de filosofia, porém, não foi suficiente para corrigir os problemas estruturais do time, que seguiu oscilando drasticamente nas competições nacionais e internacionais.
A relação com as referências do elenco também passou por turbulências. Hulk, embora tenha liderado as estatísticas de gols e assistências, viveu momentos de incerteza sobre seu futuro, apesar de reafirmar o desejo de cumprir seu contrato até o fim de 2026. Por outro lado, o ciclo de Guilherme Arana parece próximo do fim, com negociações avançadas para sua saída, enquanto Renan Lodi surge como a nova aposta para a lateral, declarando-se "Ansioso para dar o melhor" em sua chegada.
Reformulação do elenco e o futuro de Hulk e Arana
O planejamento para 2026 já começou sob a égide da austeridade. O novo CEO, Pedro Daniel, sinalizou que o clube não fará loucuras financeiras e buscará um perfil de contratações mais condizente com a realidade de caixa. A dispensa de nomes consolidados e a busca por um novo aporte financeiro são as prioridades para tentar estancar a sangria que marcou o último ano.
Em resumo, o Atlético-MG de 2025 foi um time de contrastes perigosos: caro no papel, mas pobre em desempenho; gigante em história, mas fragilizado em sua saúde institucional. O torcedor encerra o ano não com a esperança de novos títulos imediatos, mas com o anseio de que a casa seja finalmente colocada em ordem para evitar que o "filme repetido" de fracassos ganhe uma nova sequência na próxima temporada.
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