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Ruan Tressoldi Cobra R$ 14 Milhões do São Paulo por Erro Médico Grave

Por Redação FutGalo em 19/08/2026 18:10

A integridade física de um atleta profissional é seu patrimônio mais valioso. Quando essa premissa é ignorada por aqueles que deveriam zelar por sua saúde, o cenário migra dos gramados para os tribunais. É exatamente esse o pano de fundo da severa disputa jurídica envolvendo o zagueiro Ruan Tressoldi, atualmente no Atlético-MG, e seu antigo clube, o São Paulo. O defensor ingressou com uma ação na 4ª Vara do Trabalho de São Paulo exigindo uma reparação financeira que beira os R$ 14 milhões.

O cerne do processo aponta para uma suposta conduta negligente do departamento médico da equipe paulista durante a recuperação de uma contusão no joelho direito do jogador, ocorrida na temporada de 2025. Na esfera judicial, o atleta pleiteia compensações financeiras por danos de ordem moral, ressarcimento de valores gastos com tratamentos de saúde, repasses referentes a direitos de imagem e a cobertura do seguro obrigatório desportivo.

De acordo com a equipe jurídica que representa o zagueiro, liderada pelas advogadas Mariju Maciel e Marina Maciel, o problema físico teve início em um confronto diante do Palmeiras, válido pelo Campeonato Brasileiro, no dia 11 de maio de 2025. Mesmo após relatar as dores aos médicos do clube do Morumbi, Ruan continuou sendo escalado para os compromissos seguintes, o que, segundo a defesa, agravou substancialmente a gravidade da lesão.

Processo de Ruan Tressoldi Contra o São Paulo Revela Detalhes da Lesão

Para manter o defensor em condições de atuar, a comissão médica do clube paulista teria recorrido a procedimentos de infiltração. Outro ponto controverso levantado pelas advogadas foi a aplicação de Plasma Rico em Plaquetas (PRP), uma terapia classificada como experimental pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), realizada sem a devida autorização expressa e esclarecida do jogador.

Os exames de imagem detalham a evolução do problema. Uma ressonância magnética realizada em 15 de maio de 2025 apontou disfunções estruturais no joelho que inexistiam no exame médico admissional feito em agosto de 2024, quando o zagueiro foi contratado. Ainda assim, o atleta foi mandado a campo para disputar mais uma partida oficial.

A tabela abaixo apresenta a cronologia dos fatos apresentados pela defesa do jogador no processo judicial:

Data Acontecimento / Documento Médico
Agosto de 2024 Exame admissional sem alterações no joelho direito.
11 de Maio de 2025 Início das dores no joelho em partida contra o Palmeiras.
15 de Maio de 2025 Ressonância aponta lesão meniscal, edema e problemas no tendão patelar.
20 de Maio de 2025 Atleta atua contra o Náutico pela Copa do Brasil sob efeito de infiltrações.
Pós-jogo (Maio de 2025) Prontuário registra queixas de dor e insegurança; atleta é finalmente afastado.

Defesa de Zagueiro do Atlético-MG Expõe Negligência em Tratamento de Joelho

O histórico de Ruan pelo clube paulista compreende 23 exibições entre os anos de 2024 e 2025. Diante da repercussão do caso, a assessoria jurídica do atleta emitiu um posicionamento oficial detalhando os motivos que o forçaram a buscar a tutela jurisdicional do Estado.

"Ruan permaneceu em silêncio até aqui por respeito ao São Paulo, à sua torcida e aos profissionais"

A representação legal do jogador do Galo faz questão de frisar que a medida extrema não possui motivações afetivas ou financeiras oportunistas. Segundo a nota, ele não tomou tal atitude

"porque deixou de gostar do São Paulo"

ou tampouco

"para obter alguma vantagem indevida"

mas sim pela convicção de que seus direitos fundamentais como trabalhador foram severamente desrespeitados.

A cronologia clínica é respaldada por documentos oficiais do próprio réu. O prontuário médico interno do clube paulista confirma que, mesmo após o embate contra o Náutico pela Copa do Brasil, o defensor relatava persistência nas dores e instabilidade física na articulação do joelho direito. Somente após esse episódio o departamento médico optou pelo seu afastamento definitivo para tratamento adequado.

O Impacto Profissional e a Busca por Justiça nos Tribunais Trabalhistas

Para um jogador de alto rendimento, o comprometimento de uma articulação vital como o joelho transcende o sofrimento físico imediato. Trata-se de uma ameaça direta à sua valorização no mercado da bola, interferindo em renovações contratuais, transferências internacionais e na estabilidade de sua carreira a longo prazo. Vale ressaltar que todo o procedimento cirúrgico necessário para corrigir a lesão foi pago exclusivamente com recursos do próprio Ruan.

Embora respeite o amplo direito de defesa da instituição paulista, o estafe do zagueiro confia plenamente nas provas documentais e periciais que serão avaliadas pela Justiça do Trabalho para solucionar o litígio.

"Contestação não é sentença. Alegação não é prova definitiva"

destaca o comunicado das advogadas, reforçando que o objetivo primordial da ação é resguardar a dignidade e a trajetória profissional do atleta.

A nota oficial emitida pela assessoria do jogador detalha de forma minuciosa a gravidade da situação enfrentada nos bastidores antes de sua transferência ao Atlético-MG:

"Diante das notícias que vêm sendo divulgadas a respeito da ação judicial proposta por Ruan Tressoldi, sua defesa entende necessário esclarecer alguns fatos. Ruan permaneceu em silêncio até aqui por respeito ao São Paulo Futebol Clube, à sua torcida, aos profissionais com quem conviveu e, sobretudo, ao Poder Judiciário. Não pretende transformar um processo judicial em disputa pública. Mas há momentos em que o silêncio, infelizmente, pode permitir que uma versão incompleta dos fatos seja tomada como verdade. Ruan não ingressou na Justiça porque deixou de gostar do São Paulo. Não ingressou na Justiça porque não quis cumprir suas obrigações. E muito menos porque pretende obter alguma vantagem indevida. Ingressou na Justiça porque é um trabalhador que acredita ter tido direitos violados e porque aquilo que estava em jogo ? e continua estando ? não era apenas um contrato de futebol. Era o seu joelho. Era o seu instrumento de trabalho. Era a sua carreira. Era o seu futuro. E existe um fato que precisa ser conhecido. Ruan jogou mesmo estando lesionado. E isso não é uma afirmação baseada apenas na palavra do atleta. Há documentos médicos no próprio processo que permitem reconstruir objetivamente essa cronologia. Em 15 de maio de 2025, uma ressonância magnética do joelho direito já registrava lesão meniscal, edema e alterações no tendão patelar. O próprio laudo compara aquele exame com o realizado anteriormente e registra o surgimento de alterações que não estavam presentes no exame anterior. Cinco dias depois, em 20 de maio de 2025, Ruan ainda entrou em campo para defender o São Paulo contra o Náutico, pela Copa do Brasil. E há algo ainda mais importante. O próprio prontuário médico apresentado pelo São Paulo registra, após aquela partida, que o atleta ?manteve a queixa de dor e sensação de insegurança no joelho D.?. Somente depois daquele jogo foi afastado para tratamento. Portanto, não se está diante de uma história criada posteriormente para justificar uma ação judicial. Existe uma ressonância anterior à partida. Existe uma lesão documentada. Existe a participação do atleta no jogo. E existe o próprio prontuário do clube registrando que ele mantinha dor e insegurança naquele joelho. Esses documentos estão nos autos. É particularmente doloroso para um atleta ver sua conduta colocada sob suspeita quando, mesmo sentindo dor, ele continuou colocando a camisa do clube, entrando em campo e tentando ajudar sua equipe. Quem conhece o futebol sabe o que isso significa. O atleta profissional aprende desde muito jovem a suportar dor, pressão, cobrança e medo. Aprende que muitas vezes precisa demonstrar força justamente quando está vulnerável. E confia que, quando seu corpo finalmente disser que não consegue mais, as pessoas responsáveis por sua saúde estarão ali para protegê-lo. Ruan confiou. Continuou treinando. Continuou à disposição. Continuou jogando. E hoje precisa assistir a uma discussão pública na qual, por vezes, parece ser retratado como alguém que simplesmente decidiu processar o clube que defendeu, como se por trás dessa ação não existisse uma história médica, humana e profissional extremamente séria. Para um jogador profissional, uma lesão no joelho não significa apenas dor física. Significa acordar sem saber se voltará a jogar no mesmo nível. Significa ver negociações desaparecerem. Significa ter medo de perder espaço, contratos e oportunidades construídas durante uma vida inteira dedicada ao esporte. A própria documentação existente no processo demonstra que a situação do joelho repercutiu para muito além daqueles jogos. Ressalte-se, ainda, que todos os custos da cirurgia realizada em decorrência da lesão foram integralmente arcados pelo próprio atleta. Ruan não pede tratamento privilegiado. Pede apenas que os fatos sejam conhecidos antes que sua honra, sua postura profissional e suas motivações sejam julgadas publicamente. Naturalmente, o São Paulo Futebol Clube possui o direito constitucional de apresentar sua versão e sua defesa, e será a Justiça do Trabalho, após analisar todas as provas e produzir a prova pericial necessária, quem decidirá juridicamente a controvérsia. A defesa de Ruan respeita profundamente esse direito. O que não parece justo é transformar a existência de uma defesa processual em conclusão antecipada de que o atleta estaria errado. Contestação não é sentença. Alegação não é prova definitiva. E um processo dessa complexidade não pode ser reduzido a manchetes ou cifras. Há documentos. Há exames. Há prontuários. Há uma sequência cronológica que precisa ser examinada. E, acima de tudo, há um atleta que entrou em campo para defender seu clube mesmo quando seu próprio corpo já dava sinais de que algo estava errado. Mas também não abrirá mão de defender sua história, sua dignidade profissional e os direitos que entende terem sido violados. Porque antes de ser patrimônio de um clube, objeto de uma negociação ou número de uma manchete, o atleta é um ser humano. E nenhum trabalhador deveria precisar escolher entre proteger a própria saúde e demonstrar comprometimento com quem o emprega. A verdade será demonstrada onde deve ser: pelas provas e perante a Justiça."

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