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FBF denuncia desigualdade financeira envolvendo Atlético Mineiro no Cade
Por Redação FutGalo em 04/08/2026 00:11
A Federação Bahiana de Futebol (FBF) oficializou uma representação junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a Sports Media Entertainment (SME), braço investidor da liga Futebol Forte União (FFU). A entidade baiana contesta a disparidade no tratamento financeiro entre clubes que integram a Série A do Campeonato Brasileiro, apontando um suposto benefício concedido ao Atlético Mineiro em detrimento do Vitória.
O movimento da FBF ocorre na esteira de declarações do presidente do clube baiano, Fábio Mota, que questionou publicamente a retenção de valores de transmissão e publicidade aplicada apenas ao Rubro-Negro. Enquanto o Vitória sofre descontos contratuais, o clube mineiro teria sido dispensado da mesma obrigação, gerando uma quebra de isonomia financeira entre competidores diretos.
Impactos da disparidade na integridade esportiva
O documento enviado ao órgão vinculado ao Ministério da Fazenda argumenta que o cenário ultrapassa questões contratuais isoladas, atingindo o equilíbrio necessário para a disputa esportiva. Para a federação, a concessão de vantagens econômicas seletivas altera diretamente a competitividade do torneio nacional.
"A matéria discutida não diz respeito apenas a direitos individuais de determinados clubes, mas ao funcionamento concorrencial de um mercado cuja estabilidade interessa a toda a coletividade esportiva. Eventuais práticas capazes de conferir vantagens econômicas seletivas entre clubes que disputam as mesmas competições possuem potencial para afetar a isonomia esportiva, a integridade das competições e a livre concorrência"
Os dados sobre a operação financeira entre a SME e os clubes envolvidos revelam uma discrepância significativa no fluxo de caixa das agremiações durante a temporada de 2026. Abaixo, detalhamos a situação relatada pela entidade:
| Clube | Situação Contratual | Retenção de Receitas |
|---|---|---|
| Vitória | 15% das receitas de transmissão | Descontado na origem (aprox. R$ 15 mi) |
| Atlético Mineiro | 15% das receitas de transmissão | Sem retenção de valores |
A posição da FBF sobre a governança da liga
A FBF sustenta que a posição da Sports Media como detentora de governança dentro da liga confere à empresa um poder de decisão que impacta diretamente o orçamento dos clubes. Segundo a entidade, ao escolher quais agremiações sofrem o desconto e quais são preservadas, a investidora interfere no poder de investimento de cada adversário na competição.
"A Sports Media é, a um só tempo, cocontratante de dezenas de clubes que disputam o mesmo campeonato e detentora de posição de governança no arranjo. Ao definir de quem retém e de quem não retém, ela determina, de fora da disputa esportiva, quanto de receita cada concorrente terá disponível na temporada"
Diante desse cenário, a federação solicita ao Cade que obrigue a SME a aplicar o tratamento igualitário entre todos os participantes da FFU. As medidas pleiteadas incluem a retenção dos repasses devidos pelo Atlético Mineiro e por outros clubes, sob pena de multa diária de R$ 250 mil em caso de descumprimento. Além disso, a FBF defende a flexibilização do contrato, permitindo que times prejudicados possam se desligar da entidade.
Contexto da formação da Futebol Forte União
A FFU surgiu em 2022 como um movimento de dissidência em relação à Libra, motivada por divergências sobre a distribuição de receitas de direitos de transmissão. O grupo, que hoje engloba clubes como Corinthians, Fluminense, Cruzeiro, Botafogo, Internacional, Vasco, Athletico Paranaense, Coritiba, Mirassol e Chapecoense, enfrenta agora um impasse jurídico interno que coloca em xeque a gestão dos acordos firmados com a SME.
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