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Bernard no Atlético-MG: Trajetória, Retorno Emocional e Busca por Protagonismo
Por Redação FutGalo em 02/02/2026 18:11
Bernard, um nome que evoca memórias de velocidade, dribles desconcertantes e a inesquecível conquista da Libertadores de 2013, reencontra o Atlético-MG em 2024. Sua volta ao clube que o lapidou reacende um sentimento de nostalgia e expectativa, mas também impõe um escrutínio sobre sua capacidade de replicar o brilho de outrora. A jornada do jovem "alegria nas pernas" até o experiente jogador que retorna ao Brasil é repleta de capítulos marcantes e desafios superados.
Desde cedo, nas categorias de base do Galo a partir de 2006, Bernard já demonstrava um talento singular. Aos 14 anos, sua habilidade e velocidade chamavam atenção. Em 2010, uma passagem pelo Democrata de Sete Lagoas, na Segunda Divisão do Mineiro, serviu como palco para seu primeiro grande destaque: artilheiro da competição com 14 gols em 16 jogos. Este feito o colocou no radar nacional e abriu as portas para o time profissional do Atlético em 2011.
A Ascensão no Galo e o Sonho Continental
No retorno ao Atlético, o início no time principal foi modesto, com poucas oportunidades. Contudo, seu brilho na Taça BH, onde foi decisivo e eleito o melhor jogador, mudou o panorama. Sob o comando de Cuca, Bernard ganhou mais espaço no Brasileirão de 2011, firmando-se como titular pela intensidade, velocidade e capacidade de criação. Sua contribuição foi fundamental para garantir a permanência do clube na Série A.
O ano de 2012 consolidou Bernard como um dos pilares do Atlético. Marcou seus primeiros gols como profissional, foi vital na final do Campeonato Mineiro e formou um trio ofensivo memorável ao lado de Ronaldinho Gaúcho e Jô. Essa parceria impulsionou o Galo à vice-liderança do Brasileirão e à vaga na Libertadores, culminando com o prêmio de jogador revelação do torneio.
Em 2013, Bernard foi peça-chave na campanha épica da Libertadores. Suas atuações decisivas, desde a fase de grupos até os confrontos eliminatórios, com gols e assistências cruciais, foram determinantes para o título continental. Após conquistar o continente, o estado e valorização no mercado, a transferência para o Shakhtar Donetsk se concretizou em agosto daquele ano. Sua primeira passagem pelo Atlético se encerrou com 100 jogos e 22 gols, um legado de sucesso.
O Ciclo Europeu: Altos e Baixos na Ucrânia e Além
A saída para o Shakhtar Donetsk em 2013 marcou o início de uma nova etapa. Com a camisa 10, Bernard teve um começo promissor na Ucrânia, destacando-se com gols, assistências e o título nacional em sua primeira temporada, liderando a equipe em passes para gol. No entanto, a trajetória europeia foi pontuada por oscilações. Na segunda temporada, a perda de espaço e o desejo de sair, somados à instabilidade política na Ucrânia, criaram um cenário de incerteza.
Rumores de um possível retorno ao Brasil ganharam força, com clubes como Atlético-MG, São Paulo e Palmeiras demonstrando interesse. Apesar das críticas públicas do técnico Mircea Lucescu, Bernard conseguiu retomar seu espaço e protagonismo. Conquistou títulos nacionais, como a Supercopa da Ucrânia em 2015, e foi peça central no Campeonato Ucraniano de 2016?17 e no bicampeonato da Copa da Ucrânia sob o comando de Paulo Fonseca. Suas atuações na Liga dos Campeões, com gols decisivos contra Feyenoord e Manchester City, evidenciaram sua qualidade.
Em 2018, Bernard transferiu-se para o Everton, da Inglaterra, onde atuou por três temporadas, somando 84 partidas e oito gols. A participação, contudo, diminuiu em seu último ano. Posteriormente, defendeu o Al-Sharjah, dos Emirados Árabes, entre 2021 e 2022, com 32 jogos e sete gols. Sua carreira longe do Brasil continuou no Panathinaikos, da Grécia, a partir de agosto de 2022, com contrato até julho de 2024, antes do aguardado retorno ao Atlético.
A Seleção Brasileira: Entre o Brilho e a Memória da Copa
A trajetória de Bernard pela Seleção Brasileira teve seu início em novembro de 2012, com uma convocação para o Superclássico das Américas contra a Argentina. Em 2013, ganhou mais espaço em amistosos e foi peça importante na campanha vitoriosa da Copa das Confederações. Sua leveza e velocidade lhe renderam o apelido "alegria nas pernas", associado a um estilo de jogo contagiante.
A convocação para a Copa do Mundo de 2014 representou o ápice de sua participação na Seleção. Utilizado como opção, acabou sendo escalado para substituir Neymar na fatídica semifinal contra a Alemanha. A derrota por 7 a 1 marcou profundamente sua trajetória com a Amarelinha, um episódio que misturou expectativa, momentos de brilho e uma frustração coletiva que ecoa até hoje.
O Retorno ao Galo: Expectativa, Realidade e o Debate Alvinegro
O anúncio do retorno de Bernard ao Atlético-MG em 5 de fevereiro de 2024 foi recebido com euforia pela torcida. Nas redes sociais, a memória do "alegria nas pernas" foi resgatada, celebrando a volta de um ídolo em um dos períodos mais vitoriosos do clube. A recepção em Belo Horizonte, com milhares de torcedores no Aeroporto de Confins, confirmou o forte laço afetivo e a carga emocional do reencontro.
Contudo, o cenário em campo apresentou desafios. O desempenho inicial ficou aquém das expectativas, e a empolgação deu lugar a críticas nas redes sociais. A falta de participação direta em gols e uma lesão que interrompeu sua sequência intensificaram o debate sobre o impacto esportivo do retorno, evidenciando a distância entre o simbolismo da volta e o rendimento apresentado.
Bernard Sob o Comando de Sampaoli: Adaptação e Contribuição Tática
Atualmente, Bernard se tornou uma peça fundamental no esquema tático do Atlético-MG sob a orientação de Jorge Sampaoli. O treinador o transformou em uma opção tática versátil e elogiou publicamente sua contribuição, chegando a afirmar: "Bernard é um exemplo para nós. Hoje, é o nosso melhor jogador. (?) É o jogador mais destacado que o elenco tem hoje. Ele pôde rejuvenescer suas capacidades."
Sua função em campo tem sido adaptada às necessidades do treinador, atuando tanto como meia ofensivo pelos lados quanto em posições mais centrais, inclusive como falso 9. Essa flexibilidade permite a Sampaoli explorar espaços e criar avanços ofensivos. Bernard participa ativamente da construção de jogadas, retém a bola e conecta o meio-campo ao ataque, demonstrando a confiança do técnico em sua leitura de jogo e técnica.
O Peso da História e a Busca por Novo Protagonismo
A presença de Bernard no Atlético-MG é constantemente avaliada sob a ótica de seu passado glorioso, especialmente a campanha da Libertadores de 2013. Cada atuação é comparada àquele auge, criando um contraste influenciado pela diferença de contexto, idade e função em campo. Essa dicotomia entre a memória afetiva e a análise técnica divide opiniões.
O rendimento atual, mesmo com números modestos de gols e assistências, é direcionado ao jogo coletivo, à movimentação e à organização ofensiva. Essa dualidade entre a entrega em campo e a expectativa histórica mantém Bernard como um personagem central no debate alvinegro. O atacante tem sido franco sobre as pressões do retorno, afirmando: "Eu estava com expectativa muito grande com a minha volta e as coisas acabaram não saindo como eu esperava."
Em busca de maior protagonismo, especialmente visando o futuro, Bernard declarou após marcar contra o Cruzeiro: "Eu tenho essa mentalidade, nesta temporada, de ser mais protagonista dessa forma, sabe? Em gols e assistências."
O Futuro Incerto: Vínculo Longo e a Necessidade de Consistência
O futuro de Bernard no Atlético-MG, apesar do contrato até dezembro de 2027, permanece envolto em incertezas. Desde seu retorno em 2024, o jogador tem vivenciado altos e baixos. A consolidação no elenco dependerá da capacidade de transformar o vínculo de longa duração em atuações consistentes. O clube e a torcida reconhecem sua experiência e potencial, mas seu papel nos próximos anos será definido pela adaptação ao futebol brasileiro e pela evolução sob o comando técnico.
A trajetória de Bernard é um mosaico de fases e contextos. Revelado pelo Atlético-MG, ele foi parte essencial de conquistas como a Libertadores de 2013 e o bicampeonato mineiro, antes de seguir para o Shakhtar Donetsk. Na Europa, viveu momentos de destaque na Ucrânia e teve passagens pela Inglaterra, Emirados Árabes e Grécia, acumulando bagagem internacional antes de retornar ao clube que o projetou.
A discussão agora se desloca do passado para o futuro. A expectativa da torcida coexiste com a cautela, enquanto Bernard busca converter sua experiência em rendimento. A pergunta que paira é: será que o jogador conseguirá resgatar a magia da "Alegria nas Pernas" que encantou a Massa ou o tempo redefiniu seu protagonismo no Galo?
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