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Bastidores do Atlético-MG: Como o Galo Lapidou a Joia Mamady Cissé
Por Redação FutGalo em 29/08/2026 13:23
No futebol contemporâneo, o sucesso de uma jovem promessa estrangeira raramente é fruto do acaso. Por trás do brilho técnico em campo, existe uma estrutura invisível que determina se um talento vai vingar ou se perder na adaptação. No Atlético-MG, o meio-campista guineense Mamady Cissé, de apenas 18 anos, tornou-se o exemplo mais recente de como a gestão extra-campo pode acelerar a evolução de um atleta. Hoje, ele já é peça recorrente nos planos da comissão técnica principal liderada por Eduardo Domínguez.
Cissé rapidamente cavou seu espaço no elenco profissional, atuando como uma espécie de 12º jogador e disputando diretamente a titularidade no setor de meio-campo. Sua trajetória inicial no time principal reuniu todas as emoções possíveis: a tensão da estreia, a comemoração do primeiro gol, o obstáculo de uma expulsão e a volta por cima logo no compromisso seguinte. Esse amadurecimento acelerado reflete-se nos seus números e no assédio do mercado externo.
| Atleta | Origem | Jogos Disputados | Gols Marcados | Duração do Contrato |
|---|---|---|---|---|
| Mamady Cissé | Guiné | 21 | 1 | Até 2030 |
Com vínculo estendido até 2030, o jovem já desperta o interesse de clubes europeus, com destaque para sondagens vindas do futebol italiano. No entanto, o foco do jogador permanece totalmente voltado ao Alvinegro, alimentando uma meta ambiciosa para sua carreira em Belo Horizonte.
?? É um sonho jogar no Atlético. Quero jogar bola, ganhar títulos e ir com o Galo para a Copa do Mundo de clubes. Seria um sonho?
Gestão de atletas: O plano do Player Care para a independência fora de campo
Para viabilizar esse rendimento esportivo, o Atlético-MG precisou agir de forma cirúrgica fora das quatro linhas. Após passar seu primeiro ano residindo nas dependências da Cidade do Galo, Cissé sentiu a necessidade de ter seu próprio lar. Essa transição do ambiente controlado do CT para a vida solitária em um apartamento exigiu uma operação conjunta envolvendo os departamentos de assistência social e o setor de Player Care, liderado por Mateus Salomão.
?? Ele já desejava morar sozinho. A partir desse momento, fizemos reuniões com o agente dele, o CIGA, a psicóloga, assistente social, e nutrição. O primeiro passo foi achar um apartamento, uma casa no perfil dele. Ajudamos nele em todo esse processo?
O suporte oferecido pelo clube não se limitou à burocracia imobiliária. A equipe de transição precisou ensinar conceitos básicos de sobrevivência doméstica ao jovem, desde a lavagem de roupas até a preparação de refeições saudáveis na cozinha do CT, visando blindar o atleta de alto rendimento do consumo excessivo de fast-food por aplicativos de entrega.
?? Como ele não tem base familiar aqui, construímos isso com ele. Criamos um programa para auxiliá-lo nas demandas de casa. Fizemos uma visita e ensinamos-lhe a lavar roupa, a fazer uma comida, a organizar uma casa. Temos visitas domiciliares para avaliar se está tudo certo.?
?? Antes da mudança, levamos o Cissé para a cozinha do CT para entender o funcionamento. Para ele saber como preparar uma refeição e não comer uma besteira, solicitar comida pelos aplicativos?
Alfabetização e autonomia: O desafio do idioma nos bastidores do Galo
Outra barreira crucial a ser superada era a linguística. Nascido na Guiné, Cissé comunicava-se originalmente através do dialeto sisu com seus familiares, além de possuir alfabetização em francês. Ao ser integrado ao grupo profissional, a necessidade de comunicação rápida exigiu um plano de ensino personalizado de português.
A assistente social Neila Bittencourt acompanhou de perto essa evolução, buscando metodologias customizadas para garantir que o meio-campista compreendesse não apenas as instruções cotidianas, mas também as ferramentas digitais utilizadas pelo clube.
?? Quando ele vem com o elenco principal, ele precisa criar autonomia. Vimos a necessidade dele fazer aulas de português. Buscamos professores particulares para identificar a melhor metodologia e customização específica para ele.?
?? Faço esse monitoramento de acordo com a programação do clube. Se ele está acompanhando, se está com alguma dúvida para dar suporte. Também auxilio nas atividades, no uso da plataforma. E tem fluido. É um ótimo aluno. Já já, ele dominará a língua?
A evolução no idioma transformou a postura do jogador no dia a dia do centro de treinamentos, algo perceptível para quem acompanha sua rotina de perto.
- Antes, ele tinha um sorriso mais tímido. Agora, ele tem um sorrisão.
Para estimular o aprendizado de forma descontraída, o gerente de futebol do clube, Pedro Moreira, estabeleceu uma dinâmica diária: Cissé visita sua sala para registrar, por escrito, cinco termos em português que aprendeu recentemente, relacionando-os com o cotidiano do futebol ou experiências de viagens com a delegação.
Acolhimento e parceria: O papel fundamental do elenco e do tradutor
Antes de alcançar a estrutura do time profissional, o processo de acolhimento começou de forma orgânica nas categorias de base. O elenco sub-20 teve papel fundamental na inclusão do atleta. O meia Pedrinho, de 19 anos, assumiu a missão de introduzir o novo companheiro à cultura local, apresentando pontos turísticos de Belo Horizonte, como a Lagoa da Pampulha e shoppings, além de integrá-lo ao ambiente de sua própria família.
?? Estava rolando um boato de que iria vir um garoto da África. Notei que ele precisava de ajuda para se adaptar. Cheguei nele tentando falar inglês, demos um jeito. O tradutor também ajudava. Fui na base da conversa, ajudando no treino.?
?? O primeiro lugar para o qual o levei foi para o shopping. Ele gostou bastante. Depois, na Lagoa da Pampulha, para dar uma volta. Também fomos aos jogos do Galo. Sempre o levava para a minha casa para jogar videogame. Minha mãe fez uma feijoada para ele comer, um cachorro-quente.?
Toda essa engrenagem, contudo, teve seu ponto de partida no dia 8 de maio de 2025, no Aeroporto de Confins. Naquela data, Cissé desembarcava em Minas Gerais completamente sozinho, tímido, sem dominar uma palavra em português e portando apenas uma mala de mão após uma exaustiva jornada de 36 horas de viagem. Ele foi recepcionado pelo tradutor e professor de francês Benjamin Lelaidier, contratado para ser sua sombra durante os primeiros seis meses no Brasil.
?? Combinei com o Atlético de buscá-lo no aeroporto. Esperei lá com funcionários das categorias de base do clube. A chegada dele foi engraçada: ele viajou cerca de 36 horas com uma mala de mão e meio perdido. Parecia tímido, não estava rindo muito. Entendo que ele ficou muito impressionado com tudo.?
?? Meu primeiro trabalho foi fazê-lo se sentir bem. Rapidamente, ele começou a desenvolver uma relação com os amigos e comigo. Com isso, tudo foi ao natural. Criamos uma relação. Ele me chama de papai, eu o chamo de filho. É uma pessoa fantástica?
Lelaidier acompanhou Cissé em tempo integral nas primeiras semanas, auxiliando desde a abertura de contas bancárias até a tradução literal e enérgica das orientações dadas pela comissão técnica à beira do gramado durante os treinamentos e partidas.
?? Fiquei com ele todos os dias pela parte da manhã. Acompanhei-o nos primeiros treinos e em toda a rotina. Se ele precisava comprar tablet, abrir uma conta. O Atlético supervisionou tudo, mas ele tinha que entender.?
?? Eu ficava na beira do campo esperando o técnico me chamar para dar as instruções. Tentava passar a informação com a mesma energia do treinador para o Cissé viver isso 100%. Ficava sempre perto dele, até nos jogos.?
Essa retaguarda estruturada entre as categorias de base e o futebol profissional demonstra que o sucesso de um clube de ponta não se constrói apenas com investimentos em contratações, mas sim com a capacidade de humanizar e estruturar o desenvolvimento de seus ativos mais valiosos.
?? A primeira parte foi feita toda pela base. Quando chegou ao profissional, fizemos reuniões para entender a rotina do atleta, para que o processo de adaptação ocorresse da melhor forma possível. Nosso objetivo é compreender a rotina dele e tudo que contribuiu para a integração dele ao elenco ?
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